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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Solidão


“Não prendo a nada que me defina

Sou companhia,

Mas posso ser solidão, tranqüilidade e inconstância,

Pedra e coração.

Sou abraços, sorrisos, ânimo, sarcasmo, preguiça e sono.

Música alta e silêncio

Serei o que você quiser,

Mas só quando eu quiser.

Não me limito.”

Clarice Lispector

domingo, 9 de outubro de 2011


FIM

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos berros e aos pinotes
—
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas.

Que meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza:
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro...

Mário de Sá Carneiro

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

E-mail


Eu não sei quantos e-mail ainda te escreverei, tenha paciência, talvez este seja o último.

Preciso escrever, falar libertar-me das palavras para poder seguir em paz, ou talvez seja mais um motivo para continuar em contato com você. Será?!

Mas se você não ler jamais ficarei sabendo. É uma dor... quem já sentiu sabe o gosto.

Quando você dizia que iríamos nos ver:

Até o dia seguinte eu me transformava na própria esperança da alegria: eu não vivia... eu aguardava anciosa... sorria para o mundo, sorria para os meus inimigos, sorria para mim mesma, sorria...

Mas o seu plano era diabólico... começei a viver o drama do dia seguinte... "Sabe não deu certo, tó ocupado..." E assim você continuo, quanto tempo?

Seria o tempo que eu quizesse ouvir...

Enquanto o fel não escorresse todo pelo seu corpo,

Enquanto eu não seria mais uma vítima, eu continuaria a ouvir, esperar, ouvir, esperar...

Até que um alívio como um gemido você me disse: "Faça como você quiser"

Não tem mais jeito. Acabou... quando essas palavras aparecem na vida! É assim mesmo.

Como dizia o autor Fernando Caio de Abreu: ""Tô exausto de construir e demolir fantasias. Não quero me encantar com ninguém."

Ivete Vidigoi